2 meses sem chocolate. Estágio: novos vícios

28 May

São dois meses e nove dias sem chocolate. Para quem não sabe, fiz uma promessa para São José – um ano sem cacau. Está sendo uma experiência bem interessante essa minha vida sem chocolate. É mais do que uma troca: “toma aqui, São José, todo o chocolate da minha vida; em troca, me dê aquilo que lhe pedi”. É mais um exercício de autocontrole.

Já parei de sonhar que estou comendo chocolate sem querer. Estou no estágio dos novos vícios. Um deles é o doce de leite, que não é lá a coisa mais saudável do mundo, mas supre toda a necessidade de açúcar do meu corpo. Outro é chá, bebida que eu tomava só quando estava doente. Outro não é de comer nem de beber. Estou assistindo a vários seriados. Vi até o American Idol.

Ouço mais gente dizendo que sou louca, que jamais deveria ter feito isso e que não vou conseguir do que gente dizendo pra eu ser forte e ir até o fim. Mas eu jamais desistiria. É uma questão de honra. Vou até o fim.

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Um mês sem chocolate

19 Apr

Como contei, fiz uma promessa a São José e vou passar um ano sem comer cacau. E hoje faz um mês que estou sem comer chocolate. Para quem achou que eu não conseguiria, ledo engano. Eu sou forte.

Sobrevivi à Páscoa. Consegui comprar os ovos de Páscoa do Yuri, do meu sobrinho e dos meus priminhos sem muitos problemas. Consigo ver as pessoas comendo chocolate numa boa. O meu segredo? Trocar um vício pelo outro. Funciona com fumantes. Então, por que não funcionaria comigo? Assim, doce de leite é o novo chocolate.

Falando sério, tem sido ok. Não vou mentir. Cheguei a sonhar ao longo desse mês que comia chocolate sem querer e acordei desesperada. Mas, depois desse primeiro mês, vai ser mais fácil. E, olhando pelo lado bem positivo, emagreci 1kg.

Sobre casamento

15 Apr

Tenho pensado muito em casamento. Talvez seja porque ouço a palavra umas 25 mil vezes por dia, já que passo boa parte dele com duas noivas. Quando falo casamento, falo de tudo: da festa, do que significa a instituição, do que significa para um relacionamento estável juntar os trapinhos legalmente. E foi por tudo isso que fui ler o livro “Comprometida”, da Elizabeth Gilbert (sim, a mesma do Comer, Rezar, Amar. Acho a mulher divertida, tá? E não importa a fotinho dela na orelha do livro, ela sempre vai ter a cara da Julia Roberts pra mim). No livro, Elizabeth faz um ensaio sobre o casamento e sua importância na sociedade ocidental. O que ela fez, na minha opinião, foi estudar o negócio para se convencer de que casar é algo realmente importante, depois que o governo americano impôs como única condição legalizar a união dela com Felipe, brasileiro (o Javier Bardem no filme) para que ele pudesse morar nos Estados Unidos.

Nunca pensei em casar. Nunca sonhei com festa de casamento. Esses sempre foram os sonhos da minha irmã e, como somos o oposto uma da outra, obviamente, nunca foram os meus desejos. Eu queria ser independente. Estudar, ter uma carreira, viajar. Não queria depender de homem nenhum. Coisa de aquariana. Aos 15 anos,  eu e quatro minhas melhores amigas fizemos uma aposta de quem ia se casar primeiro. Eu e uma outra (aquariana também) fomos eleitas as últimas a se casarem. Deu errado. Ela casou, com festão e tudo, a segunda de nós. Casou, inclusive, com o namorado de infância. E são hoje um casal feliz.

Nunca quis casar porque, quando mais nova, pensava no casamento como algo que diminui a mulher. E faz sentido. Basta olhar a história. A mulher mal podia escolher com quem casar. Era algo arranjado pelas famílias. Sua função era cuidar da casa, dos filhos, do marido. E de um marido de quem talvez não gostasse, mas abandoná-lo era um escândalo. Já contei a história da minha avó aqui. E nessa rotina perdia muito do seu eu. E isso tudo era algo para o qual nunca tive a mínima disposição.

Mas o tempo vai passando e a necessidade de encontrar alguém para compartilhar simplesmente TUDO chega. Começa quando você encontra uma pessoa realmente muito legal. Ela te ouve, você a ouve. Trocam experiências. Riem e choram juntos. E, quando você percebe, depende  - de um modo positivo – dessa pessoa. E sabe que ela também depende de você. Simplesmente porque vocês se amam. Escolheram amar um ao outro. E eu acredito que até o mais duro dos seres está sempre em busca dessa pessoa, dessa possibilidade de amor.

E aí cada um escolhe como passar o resto da vida. Eu, quando me vi, estava aqui, bem aqui de onde escrevo agora. Não casei legalmente. E, sinceramente, não me faz falta. Nossa vida juntos reflete esse compartilhar. É bom saber que, quando saio pela manhã, deixo em casa alguém que eu amo, que reconheceria em qualquer lugar do mundo, em meio a milhões de outras faces. E que, ao chegar em casa, terá alguém que me ama pronto para me abraçar. E a gente se ama assim, com o pacote completo. Se a gente precisa de festa, de um momento pomposo pra celebrar tudo isso com a família e amigos? Não. A gente faz isso todo dia. E se a gente precisa se unir perante os olhos do Estado para provar alguma coisa? Não. O Estado não nos deve nada, então, não devemos nada a ele também.

Mas não julgo quem sonha com o grande dia, com véu, grinalda, igreja, vestido, etc. O casamento tem – e sempre terá – papel importante. Gostei da ideia final do livro da Elizabeth. Ela conta de um ensaio de um britânico. Ele defende que todo casamento (legal ou não) é sempre um ato de revolução contra o autoritarismo. Afinal, ninguém consegue se meter e manipular um casal na sua intimidade. Não apenas intimidade sexual, mas sim, aquele que se refere a viver uma vida juntos e dividir segredos, informações, crenças que são sempre somente do casal. Por isso, segundo o britânico aí, a igreja sempre tentou controlar o casamento.  Por isso, algumas sociedades, em determinados períodos, eram proibidas de se casarem (como os escravos norte-americanos). Por isso, os gays lutam pelo direito à união civil. É uma ideia romântica, eu sei. Mas gostei do poder que dá à união entre duas pessoas.

Quanto a mim, está tudo ótimo do jeito que está. Está bem do nosso jeito.

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A vida sem chocolate

24 Mar

Meu projeto de vida saudável até que estava indo bem. Melhorei minha alimentação, estava levando a academia a sério, etc, etc. Estava tudo ok. E ainda está.

Acontece que na última segunda-feira foi dia de São José, que, se não me engano, é protetor das frutas ou algo do gênero. E tem uma simpatia que aprendi no programa da Ana Maria Braga (shame on me) é assim: você faz um pedido pra São José no dia 19 de março. Aí escreve o nome de todas as frutas de que você lembrar em pedacinhos de papel e sorteia um. Você deve ficar sem comer essa fruta por um ano. Eu fiz essa promessa há alguns anos. E deu certo. Mas foi bem fácil, tive que ficar um ano sem comer acerola. Considerando que nem sei que cara tem uma acerola, foi muito fácil. E, como disse, deu MEGA certo.

Mas neste ano saiu cacau. Enquanto escrevia as frutas, pensei: “quais são as chances de sair cacau?”. Lembrando, sou chocólatra. Assumida. Nunca tinha passado mais de 48 horas sem chocolate. Até agora. Entrei em franco desespero na segunda à noite. Chorei. Cheguei a pedir para o Yuri tentar adivinhar o meu pedido e fazer a promessa também (o que ele, sabiamente, não aceitou). Acho que o destinos tem seus motivos e será um teste de fé bem, bem grande.

Até agora, já são 5 dias de vida sem chocolate. E, olha, até que estou me saindo bem, hein? Não estou com vontade de comer chocolate. Não estou tremendo pelos cantos. E, se eu sobreviver à Páscoa, sobrevivo a todo o resto. Um truque é substituir o chocolate por outro doce, por frutas e até por café (esse sim, impossível de passar um dia sem).

Enfim, vai dar certo e é bom que meu pedido se realize!

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John Frusciante – The First Season

13 Mar

Toda vez que me sinto só ou deslocada do mundo, ouço essa música aí. E tudo na vida volta a ter sentido.

 

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Feliz, feliz, feliz

4 Mar

A vida, de fato, não é fácil. E se fosse, não teria tanta graça. Super lugar comum, eu sei. Mas é a verdade. Tem dias ou momentos em que tudo parece dar errado. E nessas horas é importante contar com o apoio dos amigos, da família, do namorado.

Honestamente, cansei de me estressar. Cansei mesmo. Acho que serve só para as rugas chegarem mais depressa. Então, quando esses momentos chegarem, sigam o meu conselho: ouça uma música que te faça feliz.. Leia um bom livro. Veja algo engraçadinho na Internet. Saia pra tomar um ar fresco. Ligue pra um amigo. Veja vídeos de cachorros fofos no YouTube. Enfim, não se estresse. Não grite! Não espalhe sentimentos ruins.

Seja sereno.

***

Pra ficar feliz:

Balkan Beat Box – “Dancing with the moon”

Beatles –  “It’s getting better”

The Decemberists – “Rox in the box” (vejam este vídeo das meninas andando de skate!)

Tori Amos –  ”Taxi Ride” 

Friends – “I’m his girl”

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| Momentos |

5 Feb

Com a correria do dia a dia e de todas essas mudanças repentinas dos últimos dois meses (boas mudanças, diga-se de passagem, as melhores), ficou difícil sair para fotografar. Não que eu seja boa nisso, mas gosto de registrar os bons momentos, como eu já contei aqui.

E, confesso, tenho um pouco de preguiça de carregar a minha câmera pra cima e pra baixo. É um pouco de preguiça com outro pouco de medo. Mesmo com a falta de tempo e de empenho de minha parte, faço alguns registros com o celular. Queria compartilhar aqui algumas das últimas imagens.

Essa ainda é da viagem à Itália. Pisa rendeu lindas fotos. Um céu azul.

Minha bandeira da Croácia.

Às vezes, arrumamos a mesa pra receber os amigos.

Coffee is all I need! (ok, não é tudo, mas é parte importante pro dia começar bem).

Descobri um pedacinho do México aqui em Curitiba, a Paleteria!

Nina, a mais nova integrante da família.

A vida é boa pra gente.

Eu cortei o cabelo – de novo.

Mí Javier mora na minha geladeira, com tantas outras celebridades do cinema.

E eis o meu herói de infância.

Enfim, nesses dias loucos em que certas coisas e pessoas tentam nos desanimar, a gente tem que se agarrar a esses bons momentos, a tudo o que nos é belo e nos faz sorrir. E seguir em frente, cada vez mais forte. É assim que tem sido. É assim que vai ser.

Bem vindo, fevereiro!

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As melhores músicas do Frusciante

13 Jan

O John Frusciante está gravando um novo disco. E parece que não é boato.

Continuando na vibe lista do último post, decidi postar as minhas cinco músicas favoritas do Frusciante. Muito difícil escolhe-las, mas sei lá, eu gosto de listas.

1 – Time Runs Out

2 – Scratches

3 – The First Season

4 – This Cold

5 – God

Os melhores livros que li em 2011

2 Jan

Uma das melhores aquisições foi meu Moleskine Book Journal. É nele que anoto tudo sobre todos os livros que leio. Em 2011, foram 29 (contra os mais de 70 do Yuri, cujas impressões você pode conferir no Livrada e no Caderno G da Gazeta do Povo). Mas, cá entre nós, foram 29 excelentes livros.

Escolher os cinco melhores não é tarefa das mais fáceis. E a escolha é baseada apenas no meu gosto pessoal, afinal, não sou crítica literária. Enfim, vamos lá:

1 – “Neve”, Orhan Pamuk

Este livro é sensacional. Tornou-se o meu favorito. E Pamuk tornou-se o meu escritor favorito. “Neve” conta a história de um jornalista e poeta  que retorna à sua cidade natal para escrever sobre uma onda de suicídio.

Acho que o grande mérito de “Neve” é o fato de que ele consegue ser acessível a qualquer leitor. Se for alguém com mais experiência, percebe que a obra vai muito além de uma história sobre política e ideologia: é uma reflexão profunda sobre fé, amor e religião.

“Felicidade é tomar alguém nos braços e saber que está enlaçando o mundo inteiro”.

2 – “Orgulho e Preconceito” – Jane Austen

Que delícia de livro, de clássico! Como eu me diverti com essa leitura! A personagem central, Lizzy, é cativante.

“Tenho essa mania de não me deixar assustar com a opinião alheia. Minha coragem sempre me socorre quando há uma tentativa de me intimidar”.

3 – “A paixão de A.” – Alessandro Baricco

Ao lado de Pamuk, foi um grande escritor descoberto em 2011. O livro em questão narra a história de quatro jovens amigos e a fascinação que A., uma jovem um pouco mais velha, exerce sobre eles. Denso, poético, delicado e memorável. Desses livros cujas algumas passagens ficam na nossa memória para sempre.

“Corações pequenos – nós os alimentamos com ilusões, e no final do processo caminhamos como discípulos para Emaús, cegos, ao lado dos amigos e amores que não reconhecemos – confiando num Deus que não sabe mais de si próprio”.

4 – “A Caverna” – José Saramago

Para mim, o melhor livro de Saramago (dentre os que li, obviamente). “A Caverna” é sobre recomeço, sobre vencer os medos, ir pelo desconhecido. É sobre como somos apenas mais um no mundo, mas um “um” muito complexo, repleto de anseios, medos e incoerências.

E o Achado? Que cão fofinho! Muito bonito o modo como Saramago mostra a ligação entre o homem e o animal – do ponto de vista do cão.

“Na verdade, apesar de todos os seus defeitos, a vida ama o equilíbrio”.

5 – “O Sonho dos Heróis” – Adolfo Bioy Casares

A narrativa deste livro é muito bem desenvolvida, misturando realismo fantástico com alta densidade psicológica. É um livro, acima de tudo, sobre obsessão (interessante como o tema me persegue). E o final é muito, muito, muito surpreendente.

“Naquela noite, enquanto comia pão velho, encolhido de frio na cama, refletia que a solidão de cada um era definitiva”.

 

 

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Tentação – Clarice Lispector

22 Dec

Este conto da Clarice Lispector foi citado pelo Caio Fernando Abreu no post anterior. Fiquei com vontade de relê-lo. Sobre os desencontros da vida.

Tentação

Clarice Lispector

      Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.

Na rua vazia as pedras vibravam de calor – a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos.

Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo.

Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.

A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.

Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.

Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.

Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.

No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos – lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.

Mas ambos eram comprometidos.

Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.

A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.
Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás

(Conto extraído de LISPECTOR, Clarice. A legião estrangeira.)

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